
A reforma tributária que começa a ser implementada a partir de 2026 representa uma das maiores mudanças no sistema de tributação brasileiro das últimas décadas.
O setor de saúde, incluindo clínicas médicas, consultórios e empresas de serviços médicos, está diretamente impactado, especialmente no que diz respeito à forma como tributos sobre serviços são calculados, apurados e compensados.
O objetivo deste artigo é mostrar de forma clara e prática o que muda com a reforma tributária para clínicas médicas, quais são os principais pontos de atenção e como se preparar para essas mudanças sem comprometer a operação ou aumentar custos desnecessariamente.
O sistema tributário brasileiro é conhecido pela sua complexidade, pela elevada quantidade de impostos sobre consumo e pela cumulatividade de tributos que incidem em diferentes etapas de produção e prestação de serviços. A reforma visa:
Para isso, dois tributos novos foram criados para substituir gradualmente outros que já existiam:
Esse modelo é inspirado no conceito internacionalmente utilizado do IVA (Imposto sobre Valor Agregado).
Para clínicas médicas e prestadores de serviços de saúde, as principais mudanças podem ser agrupadas em três frentes:
✔ Substituição de tributos como PIS, COFINS, ICMS e ISS por (CBS e IBS);
✔ Possibilidade de crédito tributário sobre insumos
✔ Ajustes na forma de apuração dentro dos regimes tributários existentes
Vamos detalhar cada um desses pontos na prática.
Atualmente, clínicas médicas pagam tributos federais e municipais como:
Com a reforma tributária, o IBS substitui a cobrança do ISS e do ICMS, enquanto a CBS, substitui a cobrança de PIS e COFINS.
Isso significa:
Na prática: A clínica continuará pagando tributos sobre a prestação de serviços, mas de forma diferente, com destaque para o IBS e CBS na nota fiscal.
Um dos pontos mais importantes e vantajosos da reforma é a possibilidade de aproveitar créditos tributários.
O que isso significa?
No modelo atual, muitos tributos sobre serviços (como PIS, Cofins e ISS) são do tipo não cumulativos ou parcialmente cumulativos, o que não permite deduzir os tributos pagos em etapas anteriores.
Com o modelo IBS/CBS:
Exemplo prático: Uma clínica que paga tributos sobre equipamentos, serviços de TI, exames de terceiros ou qualquer insumo poderá recuperar parte desses tributos como créditos para compensar o imposto sobre a receita.
👉 Isso pode reduzir efetivamente o imposto devido e trazer ganhos de caixa.
A reforma não elimina os regimes tributários existentes, mas altera a forma como os tributos são apurados dentro deles.
Simples Nacional: O Simples Nacional continua sendo uma opção vantajosa para clínicas com receita anual reduzida.
Dentro do Simples:
Importante: O efeito de créditos pode ou não ser vantajoso dependendo do perfil de custos da clínica.
Lucro Presumido:
Lucro Real: O Lucro Real passa a ser ainda mais relevante para clínicas com:
Apesar das mudanças, existem pontos que permanecem válidos:
✔ A obrigação de emitir nota fiscal: Clínicas continuam obrigadas a emitir a Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e) para suas prestações de serviços.
✔ A necessidade de escrituração contábil: Para aproveitar créditos e comprovar a apuração dos tributos corretamente, a clínica precisa manter uma contabilidade organizada e atualizada.
✔ Os direitos e obrigações trabalhistas: A reforma não altera o relacionamento de trabalho com colaboradores; encargos trabalhistas e previdenciários continuam vigentes.
A reforma tributária não veio para prejudicar clínicas médicas, ela veio para simplificar, reduzir distorções e, em muitos casos, permitir que empresas se beneficiem de créditos tributários que antes não eram acessíveis.
No entanto, para aproveitar esses benefícios, é fundamental:
📌 Entender como o novo tributo (IBS) funciona na prática;
📌 Organizar a escrituração contábil;
📌 Atualizar sistemas fiscais;
📌 Preparar a equipe para a nova forma de apuração;
📌 Reavaliar o melhor regime tributário para o seu perfil de receita.
Se a sua clínica ainda não começou essa preparação, o momento de agir é agora. Com o apoio adequado, é possível reduzir custos, evitar surpresas fiscais e até aumentar a competitividade no seu mercado.
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Fundador e CEO da AJMED – Contabilidade Médica e euContador – Contabilidade Digital, tendo mais de 20 anos de experiência no mercado contábil. Possui mais de 3500 alunos, 250 CNPJs sob gestão e mais de 200 médicos em seu escritório. Possui a formação Academia de Contabilidade Médica, que forma centenas de alunos todos os anos.