Reforma tributária para médicos: o que muda na prática?

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A reforma tributária que começa a ser implementada em 2026 representa uma das maiores mudanças no sistema de impostos do Brasil nos últimos anos.

Entre os setores afetados, o da saúde e da medicina merece muita atenção, porque inclui tanto profissionais que trabalham de forma independente quanto aqueles que mantêm clínicas, consultórios ou sociedades médicas.

Este artigo vai explicar a reforma tributária de forma prática e voltada para médicos, respondendo às principais dúvidas: 

  • O que muda exatamente? 
  • Como isso afeta a tributação de serviços médicos? 
  • O que deve ser feito para se adaptar? 
  • E quais são as oportunidades e cuidados para não pagar mais imposto do que o necessário?

Para saber mais, e conferir o que o nosso time de especialistas separou para você, continue conosco, e acompanhe este conteúdo até o final.

O que é reforma tributária e qual sua importância?

O sistema tributário brasileiro era considerado complexo, com múltiplos tributos sobre consumo, diferentes regras conforme o regime (Simples, Lucro Presumido, Lucro Real), e muitos incentivos e isenções específicas para determinados setores.

Diante disso, a reforma busca:

  • Simplificar a cobrança de tributos sobre consumo; 
  • Reduzir a cumulatividade de impostos; 
  • Tornar a arrecadação mais eficiente; 
  • Tornar o Brasil mais competitivo; 
  • Tornar a carga tributária mais clara para empresas e profissionais.

Para isso, foram criados dois novos tributos que aos poucos substituem vários tributos antigos:

CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): Tributo federal que substitui PIS e Cofins;
IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): Tributo das unidades federativas (estados e municípios) que substituirá ICMS e ISS.

Esse modelo é inspirado no IVA (Imposto sobre Valor Agregado), conceito usado em vários países, principalmente na Europa e na América Latina.

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O que muda com a reforma tributária em 2026

A partir de 2026, gradualmente:

  • PIS e Cofins, começam a ser substituídos gradualmente pela CBS;
  • ICMS (tributo estadual) e ISS (tributo municipal) começam a ser substituídos por um IBS unificado;

Na prática, isso significa:

✔ Haverá um número menor de tributos, com regras mais simples e crédito tributário amplo;
✔ Empresas e profissionais precisarão adaptar seus sistemas de faturamento e apuração;
✔ A forma de cálculo de impostos sobre receitas de serviços será alterada.

Existem alterações que impactam diretamente os prestadores de serviços de saúde:

Novo formato de tributação sobre serviços: Com o IBS, o imposto que era cobrado como ISS passa a ser parte de um tributo mais amplo, com sistema de créditos e compensações entre insumos e serviços tomados pela clínica.

Na prática:

  • Se a clínica ou consultório compra serviços de terceiros (como exames laboratoriais, exames de imagem, serviços de tecnologia ou suporte), parte do imposto pago nesses insumos pode gerar créditos contra o imposto devido; 
  • Isso pode reduzir o imposto efetivo sobre a receita de serviços; 
  • Mas também exige gestão contábil mais eficiente para registrar créditos e débitos.

Isso é diferente do modelo anterior, em que o ISS era cobrado de forma isolada, sem possibilidade de abatimento de créditos.

Regras de crédito tributário: No modelo IBS/CBS, a ideia é permitir que as empresas absorvam o imposto pago em etapas anteriores da cadeia produtiva e abatam do imposto devido ao longo do processo.

Para médicos e clínicas, isso significa:

  • Possibilidade de aproveitamento de créditos sobre insumos tributados; 
  • Menor cumulatividade tributária; 
  • Necessidade de qualificação e organização fiscal para aproveitar os créditos. 

Impacto sobre regimes tributários: Mesmo com a reforma, regimes como Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real permanecem, mas a forma como os tributos são apurados dentro desses regimes será atualizada.

  • No Simples Nacional, o IBS e CBS podem ser apurados de forma integrada ao regime; 
  • No Lucro Presumido e Lucro Real, a apuração de crédito tributário será mais relevante; 
  • Não haverá extinção automática dos regimes, mas eles sofrerão ajustes.

Reforma tributária e alguns cuidados importantes para médicos e clínicas

A adaptação à reforma tributária envolve atenção a alguns pontos críticos:

Não confundir substituição de tributos com isenção:

Mesmo com o novo modelo, a tributação não desaparece, ela é apenas reorganizada. É fundamental entender que:

  • ISS, ICMS, PIS e Cofins não deixam de existir de imediato, eles são substituídos gradualmente pelo IBS e CBS; 
  • A base de cálculo e a apuração podem mudar.

Simples Nacional ainda pode ser vantajoso:

Para muitos médicos ou clínicas de menor porte, o Simples Nacional seguirá sendo vantajoso, com tributos pagos em guia única e alíquotas simplificadas. A reforma não elimina esse regime; ela apenas ajusta a forma de tributos dentro dele.

Escrituração contábil passa a ser ainda mais importante: Com a possibilidade de créditos tributários, é imprescindível:

  • Ter balanço e DRE atualizados; 
  • Registrar todas as notas fiscais de entrada e saída; 
  • Documentar e justificar créditos; 
  • Ter relatórios contábeis sólidos.

Reforma tributária: o que o médico precisa fazer para se preparar?

Se você é médico e quer se preparar para a reforma tributária, siga este roadmap prático:

Passo 1: Revisar sua estrutura jurídica e societária

  • Verifique se você atua como pessoa física ou jurídica; 
  • Avalie o regime tributário atual; 
  • Considere se a abertura de uma empresa (PJ) ainda é vantajosa.

Passo 2: Organizar sua contabilidade

  • Atualize balanço, DRE e escrituração; 
  • Regularize pendências;

Passo 3: Simular cenários tributários

  • Faça simulações de apuração tributária com o novo modelo; 
  • Compare com o modelo antigo; 
  • Planeje sua gestão de tributos para reduzir custos.

Passo 4: Buscar apoio especializado

  • Um contador experiente faz grande diferença; 
  • Consultoria tributária especializada garante compliance e eficiência; 
  • Isso evita riscos de multas ou autuações.
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Conclusão

A reforma tributária não veio para penalizar médicos ou proprietários de clínicas, mas para simplificar, tornar mais transparente e reduzir a cumulatividade tributária.

Para isso, o modelo de tributos sobre consumo foi reorganizado, passando por uma transição gradual.

Na prática, isso significa:

✔ Ajustes em sistemas de apuração tributária;
✔ Possibilidade de aproveitar créditos fiscais de forma estruturada;
✔ Necessidade de contabilidade organizada;
✔ Adaptação de contratos e emissão fiscal;
✔ Oportunidade de reduzir tributos legalmente.

Se você deseja entender de forma personalizada como a reforma tributária impacta a sua clínica ou o seu trabalho como médico, o melhor caminho é conversar com um especialista.

A AJMED Contabilidade está pronta para orientar você nessa transição, avaliando seu caso real, simular cenários e desenhar uma estratégia tributária eficiente e segura.

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Bruno Nascimento

Fundador e CEO da AJMED – Contabilidade Médica e euContador – Contabilidade Digital, tendo mais de 20 anos de experiência no mercado contábil. Possui mais de 3500 alunos, 250 CNPJs sob gestão e mais de 200 médicos em seu escritório. Possui a formação Academia de Contabilidade Médica, que forma centenas de alunos todos os anos.

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