Clínica paga imposto sobre valor repassado ao médico?

Gestora de clínica médica escolhe entre mitos e fatos sobre contabilidade em quadro iluminado
7 mitos sobre a contabilidade em clínicas médicas
2 de outubro de 2026
Clínica paga imposto sobre valor repassado ao médico

Quando a clínica é responsável pelo faturamento do atendimento e emite a nota fiscal pelo valor total cobrado do paciente, os impostos são calculados considerando esse faturamento, mesmo que uma parte do dinheiro seja posteriormente repassada ao médico.

Esse é um ponto que costuma gerar dúvidas, principalmente em clínicas que trabalham com vários profissionais e repassam uma parcela significativa do faturamento.

Imagine uma consulta de R$ 500,00.

A clínica recebe os R$ 500,00 do paciente e emite uma nota fiscal nesse mesmo valor. Pelo acordo com o profissional, 70% pertencem ao médico.

Teremos:

  • Valor da consulta: R$ 500,00
  • Repasse ao médico: R$ 350,00
  • Parcela que fica para a clínica: R$ 150,00

Mesmo que apenas R$ 150,00 permaneçam com a clínica, seu faturamento nessa operação continua sendo de R$ 500,00

Entender essa diferença é fundamental para calcular os impostos e, principalmente, avaliar se o modelo de repasse adotado pela clínica é financeiramente viável.

Como funciona o repasse médico?

O repasse médico é o pagamento realizado ao profissional pelos atendimentos prestados.

Uma clínica pode estabelecer, por exemplo, que o médico receberá 60% de cada consulta e a empresa ficará com os outros 40%.

Em uma consulta de R$ 300:

  • Médico: R$ 180,00
  • Clínica: R$ 120,00

O erro é imaginar que os R$ 120,00 representam automaticamente o faturamento da clínica.

Se a clínica prestou o serviço em seu próprio nome, cobrou R$ 300,00 do paciente e emitiu uma nota fiscal de R$ 300,00 esse é o valor de sua receita.

Os R$ 180,00 pagos posteriormente ao profissional representam o custo relacionado à remuneração do médico.

A lógica é semelhante à de outras despesas. A empresa não reduz seu faturamento quando utiliza parte do dinheiro recebido para pagar aluguel, salários, materiais, fornecedores ou energia.

CTA WHATSAPP

Clínica paga imposto sobre o valor total ou somente sobre sua parte?

Quando a própria clínica é responsável pelo faturamento, não é possível simplesmente descontar o repasse médico e tributar somente o valor restante.

Considere uma clínica que fature R$ 100 mil durante determinado mês.

Desse total: R$ 60 mil são repassados aos médicos e R$ 40 mil permanecem com a clínica.

Se os R$ 100 mil correspondem aos serviços faturados pela própria clínica, não significa que a receita tributável caiu automaticamente para R$ 40 mil.

A Receita Federal já analisou situações envolvendo prestação de serviços e contratação de terceiros e estabeleceu que o preço integral do serviço compõe a receita da empresa quando ela realiza a operação em seu próprio nome.

Esse cuidado é especialmente importante para clínicas que trabalham com percentuais elevados de repasse.

O médico precisa emitir nota fiscal para a clínica?

Quando o médico atua através de uma pessoa jurídica e presta serviços para a clínica, essa relação precisa estar corretamente documentada, inclusive com a emissão do documento fiscal aplicável à prestação.

O fluxo pode funcionar assim:

  1. Paciente paga R$ 500,00 à clínica.
  2. Clínica emite nota fiscal de R$ 500,00 para o paciente.
  3. Médico possui direito a R$ 300,00 de repasse.
  4. O médico emite uma nota fiscal referente ao serviço prestado à clínica.
  5. A clínica realiza o pagamento dos R$ 300,00.

Além da documentação fiscal, é importante existir contrato estabelecendo critérios como percentual de repasse, prazo de pagamento, responsabilidades e forma de cálculo.

Transferir valores aos profissionais sem documentação e sem conciliar os pagamentos com os atendimentos realizados pode criar problemas contábeis, financeiros e fiscais.

O que acontece se o próprio médico faturar o paciente?

Nesse caso, a situação é diferente. Imagine que o médico utilize a estrutura da clínica, mas seja ele quem efetivamente presta e fatura o serviço.

O paciente paga R$ 500,00 e o próprio médico emite a nota fiscal de R$ 500,00 pelo seu CNPJ.

  • A clínica cobra do profissional, por exemplo, R$ 150,00 pela estrutura e pelos serviços administrativos oferecidos.

Não estamos mais diante da mesma situação em que a clínica faturou R$ 500,00 e depois repassou R$ 350,00.

Nesse modelo, é necessário analisar as relações contratuais e a realidade da operação para identificar corretamente qual é a receita de cada parte.

A Receita Federal reconhece a diferença entre valores pertencentes à própria empresa e recursos de terceiros que apenas transitam por ela.

Por isso, não é simplesmente o fato de o dinheiro passar pela conta bancária que determina a tributação. É necessário analisar quem presta o serviço, quem possui a relação com o paciente, quem fatura e a quem efetivamente pertence a receita.

Como reduzir os impostos de uma clínica que faz muitos repasses?

A solução não é simplesmente excluir os repasses do faturamento. Se a clínica fatura o atendimento, tentar tributar somente o valor que sobra depois do pagamento ao médico pode criar riscos fiscais.

O caminho adequado é realizar um planejamento tributário.

Dependendo do faturamento, folha de pagamento, atividades desenvolvidas e estrutura da empresa, é possível comparar diferentes formas de tributação e verificar qual é legalmente mais eficiente.

Também é importante analisar a própria estrutura operacional e contratual da clínica.

CTA WHATSAPP 2

Afinal, clínica paga imposto sobre o repasse médico?

Quando a clínica presta e fatura o serviço em seu próprio nome, sim: o valor posteriormente destinado ao médico não reduz automaticamente o faturamento tributável da clínica.

Se o paciente paga R$ 500,00 a clínica emite uma nota fiscal de R$ 500,00 e depois paga R$ 350,00 ao profissional, não significa que seu faturamento seja apenas R$ 150,00.

Por outro lado, uma estrutura em que cada médico efetivamente presta e fatura seu próprio serviço possui características diferentes e precisa ser analisada de acordo com os contratos e com a realidade da operação.

Por isso, clínicas que trabalham com repasses precisam organizar corretamente faturamento, contratos, notas fiscais, pagamentos aos profissionais e contabilidade.

A AJMED pode ajudar sua clínica a revisar a estrutura de repasses, analisar o regime tributário e identificar alternativas legais para reduzir impostos e melhorar a rentabilidade do negócio.

Para encontrar a melhor alternativa para o seu negócio e ao mesmo tempo, evitar riscos fiscais, entre em contato conosco!

Classifique nosso post [type]
Foto de Bruno Nascimento

Bruno Nascimento

Fundador e CEO da AJMED – Contabilidade Médica e euContador – Contabilidade Digital, tendo mais de 20 anos de experiência no mercado contábil. Possui mais de 3500 alunos, 250 CNPJs sob gestão e mais de 200 médicos em seu escritório. Possui a formação Academia de Contabilidade Médica, que forma centenas de alunos todos os anos.

Comments are closed.

Fale Conosco
Recomendado só para você
Descubra os principais mitos sobre contabilidade em clínicas médicas e…
Cresta Posts Box by CP