
Não é recomendável que o médico utilize a conta bancária da empresa para pagar despesas pessoais. O dinheiro do CNPJ e o patrimônio pessoal do médico precisam ser tratados separadamente, mesmo quando ele é o único sócio da empresa.
Na prática, essa confusão é bastante comum entre médicos que recebem seus honorários por meio de pessoa jurídica.
O pagamento dos hospitais e clínicas entra na conta PJ e, como o médico é proprietário da empresa, ele pode acabar utilizando esse dinheiro diretamente para pagar cartão de crédito pessoal, escola dos filhos, supermercado, viagens, aluguel residencial e outras despesas particulares.
O problema é que o faturamento da empresa não corresponde automaticamente ao dinheiro disponível para o sócio. Antes das retiradas, existem impostos, despesas da atividade, fornecedores e outras obrigações.
Neste conteúdo, a AJMED explica por que médicos devem separar as finanças pessoais e empresariais e como retirar dinheiro do CNPJ corretamente.
A empresa possui existência e patrimônio próprios. Isso significa que uma transferência recebida pelo CNPJ pertence inicialmente à pessoa jurídica, mesmo que exista apenas um médico como sócio.
Imagine um médico que tenha faturado R$ 50 mil em determinado mês. Não significa que ele tenha R$ 50 mil disponíveis para utilizar pessoalmente.
A empresa pode precisar pagar:
Depois de considerar receitas, custos, despesas e tributos, será possível determinar o resultado da empresa e realizar as retiradas do sócio de maneira adequada.
Quando tudo é misturado, torna-se difícil saber quanto a empresa realmente lucrou e quanto o médico retirou para uso pessoal.
A conta bancária empresarial deve ser utilizada exclusivamente para movimentações relacionadas à atividade da empresa.
Considere um médico que possui consultório. Entre as despesas empresariais podem estar:
Essas despesas possuem relação com a operação.
Um bom teste é perguntar: “Esse gasto existe por causa da atividade empresarial ou pertence à vida pessoal do sócio?”
A resposta ajuda a separar as duas estruturas.
Existem diferentes formas de transferir recursos da pessoa jurídica para o sócio, e cada uma precisa receber o tratamento contábil adequado.
Duas das principais são pró-labore e distribuição de lucros.
O pró-labore corresponde à remuneração do sócio pelo trabalho exercido na empresa.
Se o médico atua diretamente na prestação dos serviços da própria pessoa jurídica, a contabilidade precisa analisar a remuneração correspondente e os encargos aplicáveis.
Já a distribuição de lucros está relacionada ao resultado obtido pela empresa.
Para saber quanto efetivamente existe de lucro, é necessário manter a contabilidade organizada e registrar corretamente receitas e despesas.
Depois que a retirada é realizada, o dinheiro passa para a conta pessoal do médico. A partir daí, ele pode utilizá-lo para suas despesas particulares.
O fluxo ideal, portanto, é:
Essa situação exige uma análise mais específica. Existem estruturas em que a empresa contrata benefícios ou planos de saúde para sócios e colaboradores, mas isso não significa que qualquer plano particular possa simplesmente ser pago pela conta PJ e registrado como uma despesa empresarial sem análise.
É necessário verificar a contratação, os beneficiários, a documentação e o tratamento contábil e tributário aplicável.
O mesmo cuidado vale para veículos, celulares, viagens, refeições e outros gastos que podem possuir tanto finalidade empresarial quanto pessoal.
Não é o nome da despesa que determina sozinho seu tratamento.
É preciso analisar quem contratou, por que o gasto aconteceu e qual relação possui com a atividade da empresa.
A falta de separação pode dificultar significativamente a comprovação das movimentações da empresa.
Imagine que o CNPJ receba R$ 80 mil por mês, mas apresente centenas de pagamentos pessoais misturados às despesas profissionais.
Se for necessário explicar determinada movimentação, reconstruir o histórico pode se tornar muito mais trabalhoso.
Além da questão fiscal, existe um problema gerencial. O médico olha para o extrato bancário e não consegue saber se a empresa está gerando lucro.
Pode existir dinheiro na conta hoje, mas parte dele já estar comprometida com impostos e fornecedores. Separar as finanças produz informações mais confiáveis e facilita a própria tomada de decisão.
O primeiro passo é não tentar simplesmente apagar ou ignorar as movimentações. Envie os extratos e documentos para a contabilidade e explique quais gastos eram pessoais.
O contador poderá avaliar a classificação correta das operações e identificar eventuais ajustes necessários.
Depois, crie uma nova rotina. Uma organização simples pode seguir estes passos:
Quanto mais cedo essa separação for realizada, mais simples fica a gestão.
Não basta separar duas contas bancárias. O médico também precisa saber quanto sua empresa fatura, quais são seus custos, quanto paga de impostos e qual lucro está sendo produzido.
A contabilidade deve receber documentos e informações suficientes para registrar corretamente a movimentação.
Também é recomendável estabelecer uma reserva para impostos e evitar retirar todo o saldo bancário da empresa.
A AJMED pode ajudar médicos a estruturarem corretamente o CNPJ, organizarem suas retiradas e manterem uma separação clara entre finanças pessoais e empresariais.
Portanto, o médico não deve utilizar a conta da empresa como se fosse sua conta pessoal. O caminho mais organizado é manter as despesas do CNPJ na pessoa jurídica e transferir pró-labore, lucros ou outros valores corretamente classificados para a pessoa física.
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Fundador e CEO da AJMED – Contabilidade Médica e euContador – Contabilidade Digital, tendo mais de 20 anos de experiência no mercado contábil. Possui mais de 3500 alunos, 250 CNPJs sob gestão e mais de 200 médicos em seu escritório. Possui a formação Academia de Contabilidade Médica, que forma centenas de alunos todos os anos.